quarta-feira, 23 de maio de 2012

Mossoró tem polícia ambiental ou polícia musical?

   Assim talvez a polícia ambiental enxergue

Não faz muito tempo e um grupo de músicos profissionais que se apresentava no local conhecido como "Praça da Convivência" teve os seus intrumentos apreendidos pela polícia ambiental em Mossoró. A instituição recebeu denúncia de vizinhos que reclamavam da "poluição sonora".

No dia de hoje, perto do mercado municipal, no centro, um indivíduo andava tranquilamente pela calçada. Em uma das mãos ele carrega um capacete, na outra um caixa com dezenas de periquitos espremidos e inquietos.

Nem sinal de polícia ambiental...

Quase que diariamente nos sinais do Ginásio poliesportivo Pedro Ciarlini, um rapaz oferece aos motoristas "avoetes". Para quem não conhece bem o "nordestinês", são aves nativas da caatinga, uma iguaria muito apreciada por aqui, mas sua caça é proibida por lei. É fácil encontrar o vendedor de avoetes, basta ir ao local mencionado.

Difícil, só para a polícia ambiental... 

Quem caminha pelas ruas de Mossoró não deixa de observar a situação precária dos animais de tração que circulam pela cidade. Magros, desnutridos, levados à exaustão por seus donos(ou algozes) que, não satisfeitos, ainda os chicoteiam impiedosamente.

Os carroceiros que maltratam os animais estão por toda a cidade, mas não são incomodados pela polícia ambiental...

Um dia desses chegou um sujeito aqui na agência onde trabalho, ele trazia um "téiu" nas mãos que acabara de capturar nas margens do maltratado rio Mossoró. Queria vender por "cinco real".

Nada da polícia ambiental...

Ao que parece a única forma de fazer com que a polícia ambiental de Mossoró atue no combate a ambientais graves, é dotando os criminosos de instrumentos musicais e equipamentos de som.

Para o indivíduo que passeia no centro com um caixa de periquitos, um violão. Para o que vende "avoetes" próximo ao ginásio poliesportivo Pedro Ciarlini, uma guitarra. Para os carroceiros que maltratam os cavalos, burros e jumentos, sistemas de som nas carroças. Para o sujeito que tentou vender o téiu por "cinco real", um baixo.

Talvez assim a polícia ambiental possa enxergar os inúmeros crimes ambientais que acontecem todos os dias, aqui em Mossoró, "capital da cultura" onde músico não pode tocar e poeta é expulso de feira popular. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Piso nacional dos Jornalistas


Companheiros (as),

O café da manhã, em Brasília, no dia 25 de abril, com a participação de 30 parlamentares e dirigentes da FENAJ e de Sindicatos de Jornalistas, consolidou o movimento pela criação da Frente Parlamentar em Defesa do Piso Nacional dos Jornalistas. O lançamento oficial da Frente Parlamentar e da campanha pela aprovação do PL 2.960/2011, de autoria do deputado federal André Moura (PSC/SE), será no dia 30 de maio, uma quarta-feira, às 16h, no Salão Verde da Câmara dos Deputados.

A mobilização para este lançamento deve ser geral. Além da presença da diretoria da Fenaj e de presidentes de sindicatos que tiverem condições de ir a Brasília para fortalecer o movimento, as entidades sindicais podem organizar atos nos seus Estados, num dia nacional de mobilização.

A assessoria do deputado André Moura comprometeu-se a enviar aos 31 sindicatos filiados à Fenaj o material para a realização da campanha: pastas/kits, camisetas (pelo menos uma para cada presidente) e folders. A Secretaria da Fenaj já encaminhou os endereços dos sindicatos e os contatos dos dirigentes em cada Estado.

De posse do material da campanha do Piso dos Jornalistas, pedimos que os sindicatos  realizem, no dia 30 de maio, visitas às redações, manifestações públicas, passeatas e outras atividades para divulgar o ato nacional. Junto aos deputados-coordenadores estaduais, solicitar que eles façam menção (com discursos e outras manifestações), nas Assembleias Legislativas, sobre o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Piso Salarial Nacional dos Jornalistas brasileiros.

Pedimos ainda que divulguem o evento nos sites dos sindicatos e enviem matérias e notas aos jornais locais para que divulguem o mais amplamente possível o evento nacional e nos respectivos Estados.

Saudações sindicais.

Celso Schröder
Presidente da FENAJ

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sobre Miriam Leitão, Merval, Veja e Cachoeira.

                                        Miriam Leitão: Análises econômicas que nunca se concretizam

 Mirian Leitão, a analista econômica de buteco, e o "imortal" de uma obra só Merval Pereira, usaram o seguinte argumento para justificar as relações espúrias entre a revista Veja e o bandido Carlos Cachoeira: "Não é crime um jornalista ter um bandido como fonte." Isso é bem verdade.

Mas há um problema na justificativa.

Não é vedado ao jornalista o acesso a qualquer tipo de fonte, afinal o compromisso deste profissional é com a verdade, pelo menos em tese. 

Reza uma rega básica da apuração jornalística que é preciso buscar o contraditório e confrontar versões, para tanto é recomendável ouvir no mínimo 3 fontes distintas para que a informação possa ser repassada à audiência da forma mais precisa possível.

Ocorre que a relação fonte/jornalista requer alguns cuidados. A dinâmica dessa relação deve ser pautada no respeito, mas nunca na confiança cega. Não é conveniente ser um "grande amigo" da fonte, ter relações umbilicais, ainda mais se ela estiver envolvida com crimes e tenha interesses relacionados com as informações que passa ao jornalista.

A revista Veja, representada pelo seu editor Policarpo Júnior, cometeu todos esses pecados editoriais. As escutas reveladas pela operação "Monte Carlo" da Polícia Federal, revelam uma relação próxima entre Policarpo e Cachoeira, que ultrapassa os limites de uma relação aceitável entre  fonte e jornalista. Afinal que tipo de matéria justificaria uma troca de 200 ligações entre fonte e o editor de uma revista de circulação periódica semanal? A Veja por acaso estaria programando o lançamento de uma biografia de cachoeira?

As escutas também sugerem algo mais grave, Cachoeira, a "fonte", tinha o poder de plantar matérias na revista Veja, escolher espaços na publicação e até mesmo a data em que as matérias seriam publicadas. 

Mais grave ainda eram os objetivos das matérias. As escutas trazem indícios claros de que elas tinham como objetivo desestabilizar os governos Lula/Dilma, além de favorecer grupos econômicos e empreiteiras ligadas ao bicheiro.

Não há desvio na conduta ética de um jornalista quando ele se utiliza de um criminoso como fonte, nisso concordo com Miriam Leitão e Merval. Se por outro lado o jornalista se deixa usar pela fonte, para atender a interesses econômicos escusos e desestabilizar um governo eleito democraticamente, isso sai da alçada da relação fonte/jornalista para integrar o código penal.

Os infelizes comentários de Miriam Leitão e Merval apenas se juntam a outros que os ilustres representantes do PIG vêm fazendo há pelo menos 10 anos.

Ganha uma lata de doce de coco quem me apresentar uma "análise econômica" de Leitão que tenha se concretizado. 

Em relação a Merval, seus comentários servirão apenas como material para copiar, colar e compor outra futura "obra" desse "imortal" que ocupa, não sei lá por que forças ocultas, uma cadeira em uma instituição fundada por Machado De Assis.  

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O Uruguai, por Eduardo Galeano

Montevidéu, capital do Uruguai

Até um certo momento o Uruguai só era mencionado no Brasil por duas coisas: ricos iam se divorciar e/ou casar e ter lua-de-mel em Punta del Este e pela derrota no fatídico dia 16 de julho de 1950 para a seleção Uruguaia no Maracanã, de virada, na Copa do Mundo feita para o Brasil ser campeão. Alguns haviam passado por Montevidéu e diziam que ficava a meio caminho entre Porto Alegre e Buenos Aires.

“Os uruguaios temos certa tendência a crer que nosso país existe, embora o mundo não o perceba”, diz Galeano. “Os grandes meios de comunicação, aqueles que têm influência universal, jamais mencionam esta nação pequenina e perdida ao sul do mapa.”

Um país de poucos milhões de habitantes que, como diz ele, tem população similar a alguns bairros das grandes cidades do mundo, mas que provocaria algumas surpresas para quem se arriscasse a chegar por ali. 

Um país que aboliu os castigos corporais nas escolas 120 anos antes da Grã-Bretanha. O Uruguai adotou a jornada de trabalho de oito horas um ano antes dos Estados Unidos e quatro anos antes da França. Teve lei do divórcio setenta anos antes da Espanha e voto feminino quatorze anos antes da França.

O Uruguai teve proporcionalmente o maior exílio durante a ditadura militar, em comparação com sua população. Assim, tem cinco vezes mais terra do que a Holanda e cinco vezes menos habitantes. Tem mais terra cultivável que o Japão e uma população quarenta vezes menor.

O país ficou relegado a uma população escassa e envelhecida. Tristemente Galeano diz que “poucas crianças nascem, nas ruas vêem-se mais cadeiras de rodas do que carrinhos de nenês”.

Ainda assim, Galeano consigna bons motivos para gostar do seu país: “Durante a ditadura militar, não houve no Uruguai nem um só intelectual importante, nem um só cientista relevante, nem um só artista representativo, único que fosse, disposto a aplaudir os mandões. E nos tempos que correm, já na democracia, o Uruguai foi o único país do mundo que derrotou as privatizações em consulta popular: no plebiscito de fins de 92, 72% dos uruguaios decidiram que os serviços essenciais continuariam sendo públicos. A notícia não mereceu sequer uma linha na imprensa mundial, embora se constituísse numa insólita prova de senso comum.” Talvez por esses “maus exemplos” tentam desconhecer o Uruguai, apesar da insistência dos uruguaios de afirmar que seu país existe. 

Por tudo isso, Galeno se orgulha do seu “paisito”, “este paradoxal país onde nasci e tornaria a nascer”.

Extraído do Blog do Emir

Nota do Blog: Reproduzo um texto de outro blog quando ele ( o conteúdo e não somente a estética) vale a pena, e vale quando traz informações novas, inesperadas, capazes de provocar reflexões no leitor, como este que acabei de publicar sobre o Uruguai e que foi escrito por um de seus mais nobres filhos, o intelectual Eduardo Galeano.

Curiosamente, mais que em outros tempos, tenho afirmado para os colegas, quando o assunto é pertinente: "Montevidéu é a cidade da América do Sul com a melhor qualidade de vida e está entre as 30 mais seguras do mundo". Alguns confrades ainda tentam "remendar" a informação, "Mas isso é só na capital né?" O fato é que o Uruguai está atrás somente do Chile e Argentina em IDH (índice de desenvolvimento humano) e bem à frente do Brasil. Se comparado aos hermanos já mencionados é um país pobre, mas como demonstra a sua história e seus atuais indicadores sociais, é um país formado por uma população socialmente desenvolvida, educada, politizada e culturalmente ativa. Somente a desinformação e o desconhecimento podem fazer com que nós, brasileiros, subestimemos as qualidades do Uruguai e de seu povo. O "paisito" é sim um belo país, que um dia terei o prazer de visitar e que há tempos sei que existe. 

terça-feira, 24 de abril de 2012

O Clipping


O monitoramento constante da exposição do assessorado nos diversos veículos de comunicação. De uma forma bem reducionista, esta seria a definição de clipping.  O produto é um "clássico" na assessoria de imprensa e erroneamente é considerado um produto simples, técnico e artesanal. Muitas assessorias contratam estagiários ou pessoas sem qualquer formação para a clipagem, prática motivada pela impressão de que o clipping é uma mera compilação de arquivos, sejam impressos, digitais, em áudio e vídeo, que fazem referências ao assessorado. Dentro desse contexto a impressão se justifica, afinal juntar, organizar e arquivar qualquer um pode fazer, mas o clipping é bem mais do que isso.

Considero o clipping o produto mais importante de uma assessoria de imprensa e também o mais complexo. Não obstante a sua importância, chega a ser raro encontrar uma clipagem realmente funcional. O desconhecimento dos assessorados e dos profissionais responsáveis pela clipagem, tende a transformá-lo em enormes pilhas de arquivos, entregues periodicamente aos assessorados e baseados na lógica "quanto mais melhor", definitivamente um equívoco. Elenquei neste artigo algumas considerações acerca desse produto fundamental para uma boa estratégia de comunicação em qualquer empresa.

O clipping é sim um instrumento de Monitoramento, mas é preciso um foco, definir prioridades. E quais são essas prioridades? Isso vai depender do que o cliente quer e da estratégia da assessoria. É preciso formatar o clipping de acordo com o que o cliente espera e exige do trabalho da assessoria. Ele quer melhorar a imagem organizacional da empresa ou sua imagem pessoal? Quer somente conseguir espaço espontâneo? Quer tornar público a sua preocupação com o meio ambiente e com as causas sociais? quer um gerenciamento contínuo de crises? etc. O assessor precisa traçar estratégias e não pode se basear em ilações, para tanto tem que extrair essas informações do clipping.

O clipping também é um excelente referencial para mensurar o trabalho da assessoria. A estratégia está funcionando? Por quê tal veículo não publica o material da assessoria? Por quê tal jornalista alfineta o trabalho da assessoria e o assessorado? etc. Todas são questões que só o clipping pode identificar e é somente a partir desse levantamento que o assessor vai poder contornar esses obstáculos e adequar estratégias.

A questão principal que se desenrola é como extrair essas informações. É exatamente aí que a percepção do clipping como produto meramente instrumental acaba. O que se vê na maioria das clipagens, além do amontoado de conteúdo editorial, são "relatórios de final de mês", quase todos feitos a partir das percepções do responsável pelo trabalho, sem qualquer rigor científico. Além do relatório, "análises de centimetragem" e "avaliação das publicações" (positiva/negativa) ajudam a dar um ar mais "profissional" ao trabalho.

Mas claro que isso não é suficiente...

Um jornalista assessor responsável pelo clipping, precisa ter noções de conhecimentos em diversas áreas: Em estatística para fazer a análise quantitativa do clipping, análise do discurso para analisar as mensagens latentes na análise qualitativa, geometria, diagramação, deve entender a rotina de uma redação, compreender a redação jornalística, saber mensurar a importância de cada editoria e articulista para o seu assessorado, além de conhecer todo o trabalho intelectual envolvido no processo de clipagem.

Eu particularmente uso análise de conteúdo, metodologia científica de análise de mensagens latentes e manifestas, para decodificar todo o conteúdo e extrair aquilo que o assessorado e a assessoria precisam. Não obstante sua complexidade, é um método científico rigoroso, extremamente preciso e como tal pode ser demonstrado caso o assessorado conteste ou peça mais esclarecimentos acerca de algumas informações.

O assunto é extenso e de forma alguma pode ser esgotado em uma postagem, mas vale para desmistificar a noção de que qualquer um pode fazer uma clipagem, tenha ou não formação em jornalismo. Vale também para esclarecer assessorados, assessores e assessorias que um clipping profissional é uma verdadeira radiografia da imagem organizacional/pessoal do cliente, é difícil de fazer, demanda tempo e exige mão de obra sênior, por esses motivos é um produto valioso e não é barato.

Leia Também:

A importância de uma assessoria de comunicação/imprensa

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Fortaleza Irã

O estratégico estreito de Ormuz

Em 2001, nos meses que antecederam a invasão ilegal dos EUA ao Iraque, o terrorista George W. Bush chegou a afirmar que a Síria, a exemplo do Iraque, possuía "armas de destruição em massa". Era uma ameaça velada ao país. Na mesma época Bush já havia classificado Iraque, Irã e Coréia do Norte como "eixo do mal". Essas ações revelam o plano estratégico imperialista dos EUA para o Oriente Médio e o sudoeste da Ásia. O império tem basicamente 4 objetivos, que são: O controle dos recursos energéticos do Iraque e Irã, o domínio do mediterrâneo, cercar militarmente a Rússia e neutralizar a crescente influência da China na região. Esses planos só poderão ser viabilizados se a Síria e o Irã forem neutralizados.

A conclusão é lógica: um ataque ao Irã é inevitável e mais uma vez o pretexto será "armas de destruição em massa". A questão central é: qual o custo de mais essa aventura militar imperialista? Na minha opinião ele será muito alto.

Desde o milenar "A arte da guerra" de Sun Tzu, sabe-se que a maior dificuldade em uma guerra é o território inimigo. A extensão territorial do Irã é de 1.648.195 km. O país, que está localizado no sudoeste da Ásia, faz fronteira com 8 nações. 2.440 km interligam o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã através do estreito de Ormuz. Atacar o Irã e tentar destruir suas instalações nucleares significa voar por horas a fio para alcançar alvos que estão a quase 2.000 km de distância. Percorrer tais dimensões não seria possível sem abastecer no ar as aeronaves de Israel/EUA, e tudo isso teria que ser feito sob um território hostil, dotado de excelentes sistemas de defesa aérea importados e de fabricação 100% nacional. Uma péssima ideia.

Alguém pode até argumentar que Israel possui os mísseis Jericho-2 e Jericho-3, capazes de alcançar o Irã. O que é verdade. O problema (para eles) é que as usinas nucleares Iranianas são subterrâneas, revestidas com concreto especial ou construídas dentro de montanhas rochosas. Essas instalações também são circundadas por modernos sistemas de defesa anti-mísseis. Não bastasse isso, a capacidade de destruição dos mísseis israelenses é limitada, os vetores sequer balançariam as instalações iranianas.

A topografia do Irã, as características do seu relevo, as dimensões do território e sua densidade demográfica tornam o país uma fortaleza natural, difícil de ser mapeada via satélite, difícil de ser atacada pelo ar e muito difícil de ser conquistada.

Uma outra dificuldade para qualquer invasor, é o contingente iraniano. O Irã possui uma população 10 vezes maior do que a de Israel. O país persa possui mais de 523 mil soldados na ativa, sendo 125 mil pertencentes à poderosa guarda revolucionária. Se necessário for, o Irã pode convocar um exército de 1 milhão de soldados, enquanto Israel conta com apenas 176.500 homens na ativa, sendo 133 mil no exército, mesmo convocando reservistas, não teria 500.000 homens.

Ao contrário do que os EUA encontraram no Iraque e Líbia, e Israel está acostumado em Gaza, o Irã possui uma gigantesca máquina de guerra, em termos convencionais, bem maior do que a de Israel. Pelo que se sabe o Irã tem sistemas de defesa naval, com mísseis Sunburn, de fabricação russa e chinesa, esse vetor voa a 1.500 milhas por hora, nove pés acima do solo e da água  e é capaz de destruir qualquer navio que esteja ao seu alcance. O inventário militar do Irã conta também com submarinos, barcos de patrulha equipados com mísseis - equipamentos que teriam capacidade de controlar a passagem dos carregamentos de petróleo no estreito de Ormuz - inúmeras aeronaves de combate, de vários tipos, muitas das quais modernizadas recentemente com tecnologia 100% iraniana, outras projetadas e construídas pelos engenheiros militares do irã usando a engenharia reversa. O Irã também possui veículos aéreos não- tripulados, Destroyers, helicópteros, artilharia com munição guiada por laser e toda a sorte de equipamentos concebidos pelo engenhoso complexo industrial militar iraniano.

Se atacado o Irã certamente irá retaliar com as armas mais letais do seu arsenal: os mísseis Shahab, Gahdr-3ª e Sejji. Esses vetores podem atingir Israel e carregar bombas de fragmentação. Para se ter uma noção da letalidade dessas cargas, elas são compostas de 200 explosivos que são projetados antes do míssil atingir o solo, cada bomba cobre uma distância de 200 a 300 metros. Esse encadeamento de explosões cobre cerca de 150 km. Dá para imaginar o efeito que uma chuva de mísseis iranianos, carregados com bombas de fragmentação, causaria em uma país como Israel? Que possui um território de apenas 20.770 km2 e cerca de 8 milhões de habitantes?? Uma catástrofe.

E não é "só" isso...

Em uma eventual agressão ao Irã, muito provavelmente os grupos paramilitares Hamas, na Faixa de Gaza, e o temido Hezbollah, no Líbano, atacariam Israel com os seus vetores de curto alcance.

A única forma de EUA e Israel tornarem esse conflito mais "seguro" para os seus soldados e sua população (no caso de Israel) seria repetir a estratégia usada na primeira guerra do Golfo. Na ocasião, antes de atacar o Iraque, os EUA lançaram um ataque virtual aos sistemas de defesa do Iraque jogando um vírus que "cegou" os radares iraquianos e evitou que as baterias anti-aéreas fizessem o trabalho. Ocorre que esse tipo de estratégia funcionou porque a quase totalidade dos equipamentos militares iraquianos eram comprados de outros países, diferentemente do Irã que possui equipamentos com tecnologia nacional. Diz a lenda que, no caso da primeira guerra do golfo, a Rússia traiu o Iraque cedendo aos  EUA os códigos capazes de anular as armas que venderam ao Iraque. Ainda assim, é bom lembrar, EUA não conseguiram vencer Sadan na primeira ocasião.

Na minha opinião um conflito Israel/EUA x Irã causará uma crise humanitária em Israel e no Irã, causará uma carnificina em ambos os lados e mesmo assim não será capaz de acabar com o programa nuclear iraniano, quer ele tenha fins pacíficos ou não. O cenário será de caos e pode se converter em uma 3ª guerra mundial.

Vamos ver até onde vai chegar a insanidade dos senhores da guerra.

Leia também

- Gopolítica e capacidade nuclear
- Dando uma geral 
- A tecnologia iraniana

terça-feira, 27 de março de 2012

Dr. Maltez Fernandes

Dr. Sebastião Maltez Fernandes ( Dr. Matez )

Não tive o privilégio de conviver muito tempo com o meu avô, Dr. Sebastião Maltez Fernandes. As lembranças turvas me levam a um passeio em seus braços, em uma manhã ensolarada no jardim do casarão de Mossoró. Me transportam também para um outro passeio, dessa vez na fazenda da família, a "Guanabara". Com uma das mãos buscava apoio na mão do meu avô, com a outra puxava um brinquedo artesanal, um "carrinho de lata" que teimava em virar, pacientemente ele me acompanhava e me ajudava a desvirar o carrinho. Por último me lembro de entrar em um avião para me despedir do meu avô, ele estava prestes a embarcar para o Rio de Janeiro, onde faria um tratamento de saúde. Percorri o corredor do avião e o encontrei sentado (era o único passageiro), e essa foi a última vez que vi o meu avô com vida. Outros detalhes da vida de Dr. Maltez, me foram passados pelos meus tios, tias e minha mãe.

Felizmente o memorialista Francisco Rodrigues (Tio Chico), genro de Dr. Maltez cuja memória é prodigiosa, traçou uma breve biografia do meu avô. O texto foi publicado em setembro de 2011, na 14ª edição da revista "Oeste", editada pelo Instituto Cultural do Oeste Potiguar - ICOP. Reproduzo então a referida biografia escrita por "Tio Chico", na intenção de disponibilizá-la para todo o mundo, bem como imortalizar a figura de Dr. Maltez, o cidadão íntegro, o empresário, o político e acima de tudo o médico, para quem o juramento de hipócrates não era uma mera formalidade acadêmica, mas um código de ética a ser seguido e respeitado. Certamente um dos homens mais importantes da história de Mossoró e do Rio Grande do Norte.

Final de 1973: "Vovô Maltez" brincando comigo

Dr. Matez Fernades por Francisco Rodrigues da Costa

Sebastião Maltez Fernandes, este seu nome completo. Filho dos agricultores Leonel Fernandes Carneiro de Oliveira e Maria José Fernandes de Oliveira. Nasceu aos 7 de abril de 1904 no sítio Crisolândia, na zona rural de Caraúbas, de propriedade dos seus genitores.

Concluiu o primário no Grupo Escolar Antônio Carlos da cidade de Caraúbas. Como prêmio, pelas boas notas alcançadas, foi convidado para continuar seus estudos no Rio de Janeiro, então Capital do Brasil, onde morava um tio, que lhe ofereceu a grande oportunidade de sua vida. Graduou-se em medicina pela então Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, como médico obstetra.

De volta à terra natal, no início dos anos 30, começou a clinicar. Casou-se em 1938 com Maria de Lourdes Gurgel e tiveram os seguintes filhos: Maria José Gurgel Fernandes, formada pela Escola Doméstica de Natal, (in memoriam), Antônio Maltez Gurgel Fernandes, engenheiro agrônomo, formado pela Universidade Federal do Ceará, (in memoriam), Jaci Gurgel Fernandes, professora formada pela UERN, Gláucio Gurgel Fernandes, médico, formado pela Universidade Federal de Pernambuco, Maria da Conceição Gurgel Fernandes, médica, formada pela Universidade Federal da Paraíba e Maria do Socorro Gurgel Fernandes, médica formada pela Universidade Federal de Pernambuco.

Família: Da esquerda para a direita - Dr. Maltez, Maria José Gurgel, Antônio Maltez (meu pai), Jacy Gurgel, Maria De Lourdes (Vovó), Maria do Socorro e Gláucio Gurgel. 

Com o falecimento dos seus genitores, Dr. Maltez adquiriu, por compra, as partes do terreno que cabiam aos seus irmãos, registrando a nova propriedade com o nome de  fazenda “Guanabara”.

Dr. Maltez – O médico 

Assistir às suas pacientes, quer no período ou não da gravidez, foi seu maior sacerdócio. Não temos o número exato das crianças que vieram ao mundo pelas suas mãos. Queremos crer que, em Mossoró, mais de quinze mil sentiram a clássica palmadinha no bumbum, aplicada pelo caridoso médico. 

Contam coisas interessantes a respeito de doutor Maltez. Ele mesmo me contou dois casos que passo a narrá-los: uma vez olhando um relógio de parede, que marcava 12 horas, viu no mostrador o rosto de um dos seus irmãos. Logo depois recebeu a notícia da morte do ente querido que falecera justo naquela hora.

Numa noite chuvosa, estrada enlameada, orlada de “pereiros” e xiquexiques, o carro dirigido por Luizinho, que também fazia parte da banda musical de Caraúbas, seguia vagarosamente. De repente Dr. Maltez diz para o motorista: “Passe naquela casa iluminada pela luz de lamparina”. No seu interior uma mulherzinha se contorcia em dores. O marido, aflito, saíra em busca de ajuda. Sem se identificar, Dr. Maltez pede para ver a paciente e, em seguida, diz para alguém ferver água. Em poucos instantes, o choro forte de uma criança aliviava as dores da mãe feliz.

D’outra feita, em visita a uma enfermaria repleta de candidatas a mamãe, Dr. Maltez pergunta por que uma delas permanecia ali. Ouviu: “Está esperando para ser cirurgiada”. Era uma vida em jogo. “Se não a levarem logo para a sala de parto, a criança nascerá aqui mesmo” – disse  Dr . Maltez. A paciente livrou-se de ter o ventre cortado pelo bisturi. O médico que a operaria teve um problema no seu automóvel, daí o atraso. Somente em último caso, Dr. Maltez apelava para a cesariana, Zezinha, sua filha, em partos normais, deu ao pai orgulhoso suas primeiras netas, Daniela e Giovanna. Foi  Dr . Maltez quem assistiu a filha por ocasião dos seus dois partos. 

Soube, por Geraldo meu irmão, amigo dos filhos do saudoso casal Evilásio/Francisquinha Dias, que ela fez o seguinte  comentário: “Dr. Maltez quando prognosticava a data do nascimento de uma criança era tiro e queda”. E arrematou: “Foi assim com os meus cinco filhos: Enilce, Célio. Nilma, Clélia e Marcos”. Os dois últimos são médicos e clinicam em Natal.

Adelaide de Jesus Costa, enfermeira e viúva do médico areia-branquense Francisco Fernandes da Costa, não regateou elogios: “Foi uma tranquilidade dar a luz aos meus  filhos: Luiz Henrique, Roberto e Costa Neto. Contei, abaixo de Deus, com as mãos milagrosas do Dr. Maltez”.

De uma mãe preocupada: “Dr. Maltez, minha filha está com um mioma, e, cada vez mais, eu vejo que ele aumenta”. Depois de examinar a mocinha, o experiente médico  disse para a mãe aflita: “Tenha calma, vou cuidar do 'mioma' com carinho”.  Após alguns meses, a mocinha, em vez do mioma, tinha um robusto bebê para amamentar.

Meados de 1946, veio residir em Mossoró. Foi o primeiro diretor da Casa de Saúde e Maternidade Dix-sept Rosado com o Dr. João Marcelino.

Dr. Maltez – O Político

Morava em Caraúbas quando se candidatou pela primeira vez a deputado estadual. Foi por ocasião da redemocratização do País, com a deposição de Getúlio. Conseguiu a eleição pela legenda do Partido Social Progressista, dirigido no Rio Grande do Norte pelo deputado federal Café Filho.

Na campanha eleitoral de 1947, para escolha de um terceiro senador, como aconteceu em todos os estados da federação, recebeu do senador Georgino Avelino (PSD) a seguinte proposta: “Dr. Maltez, deixe o seu dedo correr sobre o mapa do RN. Na cidade indicada, o senhor terá consultório e emprego compensador”. Era uma proposta tentadora. Mas o deputado caraubense teria que apoiar a candidatura do industrial João Câmara ao Senado.  Dr. Maltez, com aquele seu semblante humilde, mas decisivo, agradeceu dizendo: “Senador: prefiro, sem retribuição, acompanhar meu correligionário Café Filho”.

Por falar na sua humildade, abro um parêntese e dou a palavra a um colega seu, o  Dr. Milton Marques de Medeiros, que assim se expressou no prefácio do nosso livro Caminhos de Recordações: “Dr. Maltez Fernandes era uma figura ímpar. Sua humildade até hoje me emociona. Não havia nele soberba nem exibicionismo. Nem tão pouco nos falava em tom professoral. Pelo contrário, tudo nos era transmitido pelo forte exemplo pessoal e através de sábias e sensatas conversas. Amenas, antes de tudo. Somente com o passar do tempo é que fui aquilatando melhor cada ensinamento”.

Em 1950, foi reeleito pela mesma legenda do PSP, obtendo expressiva votação somente em Mossoró. Também foram candidatos a deputado estadual, e tiveram esta cidade como reduto, Carlos Borges de Medeiros e Raimundo Soares de Souza (UDN), Antônio Rodrigues de Carvalho e José Nicodemos da Silveira Martins (PTB) e Francisco Solon Sobrinho (PSP), dentre outros. Dr. Maltez presidiu o Legislativo Estadual de 1953 a 1956.

Em 1954, Café Filho, já presidente da República, traçou um esquema para o seu PSP aqui no Rio Grande do Norte apoiar os candidatos ao Senado: Dinarte Mariz (UDN) e Georgino Avelino (PSD). Em contrapartida, o PSP daria os dois suplentes de senador. E o interessante é que ambos se tornariam titulares. Um, Reginaldo Fernandes, com a eleição de Dinarte para o Governo do Estado em 1955; e o outro, Sérgio Bezerra Marinho, com a morte de Georgino, 1959. Dr. Maltez, seguiu a orientação partidária e apoiou Eider Varela para deputado federal, que foi eleito
.
Em 1958, Café Filho já estava descartado da política. Dr. Maltez, aliou-se a Djalma Maranhão e tentou, sem êxito, voltar à Assembléia Legislativa. Episódio que levou o ex-deputado e ex-presidente da Assembléia Legislativa a encerrar sua carreira, como político.

Dr. Maltez – Sociável

Foi um dos fundadores do Lions Clube de Mossoró; sócio-proprietário do Clube Ipiranga; maçom da Loja 24 de junho.

Juntamente com o seu colega e conterrâneo Dr.Gentil Fernandes, foi um apaixonado pela língua, ESPERANTO, criada pelo médico polonês Ludwig Zamenhof. 

Dr. Maltez - Espirituoso. 

Sempre dizia seus gracejos oportunos, sem constranger a ninguém. Padre Huberto gostava de visitar algumas pessoas. Boquinha da noite ele chega à casa de  Dr. Maltez. e dá-se o seguinte diálogo:

- Vamos sentar Padre Huberto.
- Estou bem, Dr. Maltez. – Respondeu o religioso do alto dos seus quase dois metros.

Passados uns dois minutos, o mesmo convite por parte do médico, com pouco mais de um metro e cinquenta.

- Já disse que estou bem, repetiu o padre.

E dr. Maltez, calmamente: “Eu sei que o senhor está bem. Quem não está sou eu”. Com o pescoço empinado a olhar para o céu.

Certa vez, Zezinha chega para o pai e diz:

- Papai, já estou cansada de embalar Daniela. E ela não dorme de jeito nenhum. Que devo fazer?

E doutor Maltez, sem pestanejar:

- DANI-ELA no berço.

Dr. Maltez – O versejador em família. 

Em Junho de 1934, começou a namorar sua futura esposa, dona Lourdinha. O Apaixonado ofereceu sua foto com uns versinhos: 

"Para lembrar o São João
De trinta e quatro passado
Em que foi meu coração
Para sempre conquistado
À Lourdinha encantadora
Já dele possuidora
Dou essa fotografia
Lembrança daquele dia" 

De férias na fazenda Guanabara, todos juntos ao redor da mesa de refeições, não raro, recitávamos essas oito linhas. Era uma alegria geral.

Para Socorro, a filha caçula, quando lhe rasgou a gengiva o primeiro dentinho, o pai coruja não perdeu tempo, compondo esta quadrinha: 

"Tenho um dentinho
Que é danado pra morder
Se você não acredita
Bote o dedo só pra ver."

Aos domingos, a Rádio difusora de Mossoró, levava ao ar o programa “Manhã Festiva”, animado pelo saudoso Genildo Miranda. A meninada, de seis a oito anos, comparecia para recitar seus versinhos. Conceição, filha de  Dr. Maltez, ganhou um prêmio, ao declamar uma quadrinha de autoria do pai.

"Sou forte e sou bonita
Já sou quase uma mocinha
Me chamam de senhorita
Mas eu sou Miss Arrozina."

Com Gláucio, não foi diferente. Queria ser Tarzan e vivia exibindo sua musculatura. Foi ao palco da Difusora e faturou o prêmio, recitando a quadrinha:

"Essa marra meus senhores
Que tanto agrada as meninas
Devo somente aos fatores
Da saborosa Arrozina”.

Dr. Maltez - o Empreendedor

Em 1966, com os médicos Leodécio Fernandes Néo, César Augusto de Alencar, Eilson Gurgel do Amaral, construiu a Casa de Saúde e Maternidade Santa Luzia. Depois outros médicos se associaram ao empreendimento: Clóvis Augusto de Miranda, José Mario Gurgel e José Anchieta Fernandes.

Dr. Maltez também atendia pela  Carteira de Acidente do Trabalho, do INPS. Muitos acidentados tiveram nele o médico caridoso e justo. Prazos marcados para o pronto restabelecimento da saúde de cada um doente. Alguns pacientes, às vezes, queriam enganar a boa índole do médico. Nos ferimentos botavam leite de mamão ou usavam de outro artifício para prolongar o benefício. Dr. Maltez os advertia e, muitas vezes, suspendia o tratamento, dando “alta”, para coibir o condenável abuso.

Dr. Maltez deixou saudades... 

No final da vida contraiu uma enfermidade que o pôs de cama por algum tempo. Certa tarde,vai visitá-lo o  Dr. Tarcísio Maia, então governador do estado, que foi oferece seus préstimos ao colega e amigo de muitos anos.

Levado para o Rio de Janeiro,  Dr. Maltez ficou internado no Hospital da Lagoa. Não saiu de lá com vida. Faleceu aos 12 de julho de 1978. Foi sepultado em Mossoró, no cemitério São Sebastião.

Anos depois de sua morte, eu soube que uma ex-paciente dele guardava uma receita médica. Confessou que muitas vezes usou, com sucesso, o mesmo medicamento prescrito por Dr. Maltez.

Em rápidas linhas, o perfil biográfico do médico íntegro, do cidadão honrado e do sogro amigo. O inesquecível Dr. Sebastião Maltez Fernandes. 

terça-feira, 20 de março de 2012

(IN) SEGURANÇA PÚBLICA

Mossoró/Brasil: O crime compensa

Da minha "timeline" no Facebook, reproduzo aqui o relato dramático do poeta e amigo Caio César Muniz. O texto revela a situação caótica da segurança pública no Rio Grande Norte, especialmente em Mossoró, onde a bandidagem tomou conta das ruas e os cidadãos honestos vivem presos e amedrontados.

Minha esposa foi assaltada esses dias no bairro Costa e Silva. Levaram-lhe a bolsa com documentos e o aparelho celular. Afora o trauma que sempre fica nos que passam por este tipo de episódio, graças a Deus nada de maior valor lhe foi subtraído.

O que se passou a partir do momento do assalto em diante nos dá bem a dimensão de como estamos largados à própria sorte: a primeira coisa que nos veio à cabeça foi ligar para o número 190, que sugere um trabalho de “emergência”, mas que descobrimos, realmente só sugere, não condiz com a realidade. Ligamos inúmeras vezes e sempre caía naquela música de espera irritante, principalmente para quem está em busca de um socorro. Por horas a fio ligamos, sem que ninguém nos atendesse.
Por volta das 14 horas, finalmente uma viva alma soou do outro lado da linha telefônica, porém, ao indagar o motivo da demora no atendimento, parecia que o bandido era eu, tamanha a arrogância e truculência, imagino se estivéssemos cara-a-cara.

Desistimos do contato por telefone e resolvemos ir pessoalmente à delegacia de plantão para fazer um Boletim de Ocorrência, era o mais prático no momento. A esta altura, pegar o ladrão seria um milagre, não mais uma ação da polícia. 

Lá, mais uma vez pudemos constatar as más condições pelas quais passam o serviço de (in)segurança Pública no nosso Estado. Algumas pessoas pretendiam fazer um Boletim de Ocorrência sobre o desaparecimento de uma pessoa. Foram, imagine só, orientados pelo próprio servidor (policial) a procurar um destes blogs especializados em notícias policiais. Segundo ele (o policial), era muito mais fácil e rápido o procedimento, e ainda, segundo suas palavras, mais eficaz.

Três agentes do patrulhamento motorizado da ROCAM, muito a contragosto soltavam um meliante por falta de provas, tendo em vista que este, havia jogado uma arma num matagal e não foi possível encontrá-la. O infrator saiu rindo da cara dos policiais que nada puderam fazer. Indagados sobre aquela situação, denunciaram: "vejam só pelo que temos que passar! É a lei..."

O policial escrivão, do seu lado, aproveita a oportunidade e também relata: "a esta hora, ainda não almocei, nem água temos aqui para beber!". Ficamos sem saber de quem mesmo nos compadecer, se de nós mesmos diante deste cenário ou dos servidores ali expostos, de mãos tão atadas quanto às nossas.

Fizemos o Boletim de Ocorrência e para finalizar todo este relato, o ponto final: não havia caneta na delegacia para assinar o documento.

Deus nos proteja, aqui embaixo, não há mais a quem recorrer!

Opinião do Editor: Aconteceu em Mossoró, mas situações como a que foi narrada por Caio é algo trivial em todo o território brasileiro. Leis frouxas e obsoletas, que favorecem os criminosos e penalizam as vítimas, são a "força motriz" do crime. A polícia pouco pode fazer: A falta de estrutura(como os exemplos citados no texto de Caio), as leis permissivas aliadas ao humanismo inconsequente da "justiça", fazem com que a polícia tenha que prender um criminoso inúmeras vezes, e mesmo assim ele continua a sair para cometer novos crimes.  violência está totalmente fora de controle no Brasil e é possível constatar isso assistindo a apenas meia hora de qualquer noticiário nacional: são assaltos, roubos ousados, explosões de caixas eletrônicos, assassinatos, etc. O pior de tudo é ter a consciência de que ainda estamos na metade do caminho para chegar ao fundo do poço. 

Brasil, seu nome é caos. Salve-se quem puder!!

Leia também:


Mossoró, o velho Oeste é aqui 
- Pobre Mossoró...

quarta-feira, 7 de março de 2012

Qual é a graça?

Ana Paula Padrão: o crime é engraçado?

No jornal da Record, ao que tudo indica, há uma tentativa de quebrar o paradigma do jornalismo sisudo. A fórmula encontrada pelo telejornal é uma constante interação entre os âncoras Celso Freitas e Ana Paula Padrão. Os jornalistas dialogam sobre os acontecimentos e muitas vezes trocam opiniões, as notícias são transmitidas de forma mais "leve". 

Paradigmas, principalmente no jornalismo, precisam ser quebrados realmente, mas alguns cuidados são necessários e certas notícias não combinam com uma postura mais descontraída por parte do âncora, por exemplo, as notícias sobre a criminalidade.

Os âncoras do Jornal da Record, principalmente a Ana Paula Padrão, parecem não reconhecer as ocasiões em que a descontração precisa ser deixada de lado para dar lugar a um tom mais grave. Tenho observado esse problema diariamente nas edições do telejornal da Record, mas cito como exemplo a edição da terça-feira, dia 06.03.2012.

Na referida edição Ana Paula Padrão noticiou a prisão de uma quadrilha paulistana especializada em roubo e desmonte de veículos. A estrutura da quadrilha contava com uma espécie de "linha de produção" que conseguia desmontar 18 carro em apenas 1 hora. Para completar, os marginais ainda usavam um aparelho que inibia o sinal dos rastreadores via satélite. Nada demais até aí, o problema é a forma como Ana Paula Padrão tem dado esse tipo de notícia: soridente e alegre, como se narrasse a performance de um malabarista do "cirque du soleil".

O Jornalismo precisa se mostrar indignado com a violência, como estão indignados todos os brasileiros, é uma forma de alertar as autoridades para esse problema endêmico e também uma forma de respeito às vítimas, que tiveram os seus bens subtraídos de forma violenta. É o mínimo que o jornalismo pode fazer.

Na medida em que um jornalista noticia casos de violência como se estivesse em um happy hour, a violência é abrandada, adquire ares de normalidade cotidiana, e isso não pode acontecer. Então fica a dica Ana Paula Padrão: a engenhosidade dos marginais não tem graça nenhuma, que o digam as vítimas.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Imagens do sertão potiguar

No período de carnaval estive no sertão potiguar, mais especificamente no ao alto Oeste, entre os municípios de Patu e Caraúbas. As pessoas que vivem naquela região, apesar das melhorias advindas da construção de cisternas e da chegada da eletricidade, ainda vivem de forma bastante simples e preservam técnicas de sobrevivência e costumes que remontam o período colonial. Aproveitei a ocasião para fazer um pequeno registro a partir do meu aparelho celular. Tecnicamente falando as fotos possuem limitações, uma vez que o meu aparelho celular não dispõe de recursos que permitam controlar algumas variáveis, tais como diferenças causadas pela incidência de luz, profundidade, etc. As fotos valem como registro da vida simples (porém alegre) e do ambiente onde vive o sertanejo potiguar do século XXI. Clique nas imagens para vê-las em tamanho original.

O elemento humano...




Moradias...
Fazenda Guanabara

Fazenda Guanabara (Casarão): Segundo o professor de história Antônio Gomes (UERN), esse tipo de residência era construída pelos donos de grandes fazendas na parte mais alta das propriedades, tinha vários objetivos simbólicos. Ela mostrava aos subalternos quem estava acima de tudo(quem mandava) e sua concepção baseava-se nos grandes castelos da Europa medieval. Era em suma construída para demonstrar opulência e poder. 

 Fazenda Guanabara: Local utilizado para alimentar o gado.

Sítio Santa Maria: Fogão à lenha e panelas de barro ainda são bastante usados pelo sertanejo. No detalhe a bebida preferida do sertão, a cachaça.

Apesar das geladeiras e até geláguas, o "pote" ainda é amplamente utilizado no sertão. É um recipiente feito de barro utilizado para armazenar água potável colhida em açudes ou cisternas.

Entorno...